Sindicato denuncia na Câmara situação dos Agentes Comunitários de Saúde

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Aconteceu na tarde desta quinta-feira (9) com a presença da Diretoria Atuante do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, a primeira reunião da CEE – Comissão Especial de Estudos – na Câmara Municipal de Ribeirão Preto para discutir o projeto de lei que interfere no trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde. A entidade entende que a mudança cria ainda mais atribuições para uma categoria já considerada sobrecarregada e desvalorizada pelo governo. Em alguns casos, o pacote de mudanças propõe que o agente comunitário de saúde realize atividades administrativas, por exemplo.

Trabalhadores de três unidades e diretores do sindicato expuseram aos vereadores as dificuldades enfrentadas no dia a dia pelos agentes e da inviabilidade do projeto.

A agente do USF – Unidade de Saúde da Família – do bairro Heitor Rigon, Daniela Souza de Oliveira, que participou da CEE, exemplificou que em sua unidade existem 19 agentes no total, eles são divididos em 4 equipes, mas só duas das equipes têm médicos, as outras ficam sem. Ela vê com preocupação a falta de profissionais no grupo, sobretudo para uma região que cresce aceleradamente.

“Um bairro que está crescendo muito com conjuntos habitacionais, alguns com mais de três mil pessoas e nós não temos nenhuma estrutura pra atender tudo isso”, argumentou.

Ela revelou também diante da comissão que os trabalhadores sofrem com o acumulo de função. “Nós fazemos o café, ficamos na recepção, ajudamos a tirar etiqueta na coleta. É uma ajuda que vira obrigação. A gente tem uma série de documentos pra preencher. Eu tenho uma média de 150 famílias que devo visitar em um mês. Não tem condições”. Ainda segundo Daniela, em algumas famílias a orientação é básica e não demora, mas em casas com criança, idosos ou hipertensos é preciso um tempo maior e, assim, segundo ela, fica difícil cumprir a média de atendimentos.

Para a coordenadora da seccional da saúde Débora Alessandra a impressão que se tem é que o governo simplesmente abandonou esses profissionais da saúde.

“Quantas denúncias o sindicato já fez envolvendo os agentes comunitários de saúde? Já perdemos as contas. Foram casos absurdos em que o trabalhador não tem as mínimas condições de serviço. Nós chegamos a noticiar uma vez, que por falta de sala, um grupo de agentes do bairro Heitor Rigon fazia suas reuniões debaixo da sombra de uma árvore da unidade. Um absurdo! Não vamos permitir que queiram empurrar ainda mais atribuições para uma categoria que está pedindo socorro”, questionou a coordenadora.

 Durante duas horas vários agentes comunitários e representantes do sindicato foram ouvidos. Outras denúncias como falta de uniforme, falta de filtro solar e insegurança em comunidades de risco, foram apontadas.

Para o vereador Drº Jorge Parada que presidiu a sessão, esse projeto encaminhado pelo executivo causa preocupação, pois, praticamente, institucionaliza o desvio de função. “Constamos que não há uma preocupação com o princípio das atividades dos agentes comunitários de saúde que é a promoção à saúde, visitas às casa e, muitas vezes, por falta de funcionários estão fazendo as vezes de porteiro, e de outras funções”, complementou Parada.

Os vereadores pretendem fazer mais uma rodada de discussões sobre o assunto e, paralelamente, visitar algumas unidades para, assim, na última oitiva chamar o secretário municipal de saúde para a conversa.

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