A intolerável violência contra nossos profissionais da saúde

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Valdir Avelino * 
presidencia@municipais.org.br 
 
As agressões físicas e morais contra profissionais da saúde pública municipal de Ribeirão Preto chegaram a um nível sem precedentes. Quando pacientes, acompanhantes e até desconhecidos agridem servidores públicos, o problema não exige apenas sindicâncias administrativas, mas, sim, a abertura de ações judiciais, buscando a aplicação de penas severas contra os agressores.  
 
É preciso reconhecer que a política de “portas abertas” fracassou e o Município está perdendo, por completo, a capacidade de monitorar pontos de acesso, deixando de saber quem está dentro de seus estabelecimentos e postos de saúde. Muita gente que não está acompanhando paciente, e nem precisa de atendimento do SUS, atravessa a porta das nossas unidades de saúde todo santo dia e ninguém enxerga ou barra essa situação. Apesar do choque das agressões recentes, não é de hoje que as unidades de saúde municipais abrigam uma série de violências. 
 
Já passou da hora de o governo municipal agir, efetivamente, para garantir acesso restrito a quem, de fato, precisa de atendimento nas unidades de saúde do Município. É preciso pensar, com urgência, na segurança e vigilância das unidades de saúde de Ribeirão Preto. Somente assim vamos garantir a segurança da equipe de servidores, de pacientes e acompanhantes, mantendo, ao mesmo tempo, o mais alto nível de proteção de privacidade. O controle de acesso às unidades de saúde do Município deve voltar ao primeiro plano. 
 
O ambiente de atendimento do SUS é permeado pelo que também acontece na sociedade. Em meio a um país marcado por agressões, por violência e até por discursos de ódio, as unidades de saúde sofrem com a reprodução da mesma lógica de violência presente na sociedade. É por isso que a direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto há muito tempo vem cobrando entradas e saídas exclusivas para os profissionais de saúde em todas as unidades, portões públicos, áreas de estacionamento aos trabalhadores e espaços de acesso limitados e reforço permanente da segurança nas unidades. 
 
Não pode mais um posto de atendimento de saúde ou uma UPA continuar funcionando com dezenas (ou até centenas) de visitantes desconhecidos circulando diariamente, muitas vezes sem necessidade prática alguma. Na maioria das vezes são esses desconhecidos, familiares ou amigos de pacientes, que se tornam agressivos e até violentos com outros usuários do SUS e com nossos servidores, e que também, desnecessariamente, ficam expostos a todo o tipo de contaminação peculiar ao ambiente de uma unidade de saúde. O governo tem a obrigação de inventariar todas as instalações de saúde municipal, identificando e reforçando pontos de entrada para evitar acessos não autorizados. É justamente essa lacuna na segurança e na prevenção que tem criado riscos que resultam em agressões contra nossos trabalhadores.  
 
No mundo violento de hoje, a ideia de que uma unidade de saúde deve funcionar sem qualquer elemento que evite a entrada de estranhos e desconhecidos, é algo fracassado. É evidente que, para a proteção dos próprios usuários do SUS e dos nossos profissionais da saúde, barreiras físicas monitoradas devem ser usadas, evitando acesso indesejado com o uso de catracas, portas automáticas de segurança, portas giratórias de segurança e sistemas de travamentos, tudo isso com a presença física de trabalhadores capacitados para a segurança. Num momento de ameaças e desafios, nossos profissionais da saúde têm o direito de cumprir seu papel com segurança. Não há como garantir um Sistema Único de Saúde mais eficaz e solidário em meio à insegurança generalizada que vem se instalando em nossas unidades de atendimento. 
 
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis 

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