Coletiva de imprensa revelou timidez administrativa, inércia e incapacidade de diálogo do governo municipal

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É perturbador constatar que uma música de Chico Buarque, com data de 1976, não envelheceu e continua a descrever a realidade atual de Ribeirão Preto. Quase 40 anos depois, ficamos com a impressão de que o poeta falava sobre o governo de Ribeirão Preto quando escreveu: “O que não tem conserto, nem nunca terá / O que não tem decência, nem nunca terá / O que não tem vergonha, nem nunca terá / O que não tem governo”.

Na entrevista coletiva da manhã desta segunda-feira (03 de fevereiro), o governo municipal, representado por três secretários (Casa Civil, Saúde e Negócios Jurídicos) não conseguiu dar um único passo para uma solução séria de um problema concreto na direção da transparência, na direção do diálogo e na direção da maturidade.

A greve na saúde pública municipal respeita e defende o cidadão e a cidadania. Afinal, a sociedade tem o direito de saber se quem administra a cidade age de acordo com o seu programa, com a lei e com o interesse público. Predomina a sensação de fracasso difuso e generalizado de uma administração que ameaça não ter mais juízo, vergonha ou conserto. O servidor público municipal cobra o direito que todo o cidadão de nossa cidade tem de saber por que Ribeirão Preto arrecada tantos tributos e parece não ter dinheiro para nada.

O governo tem que deixar de lado o casuísmo e as lágrimas de crocodilo. É preciso agir de forma madura e civilizada, sem hipocrisia. É preciso respeitar a lei, reconhecer imediatamente o direito às 30 horas e libertar a saúde pública municipal de injustificados constrangimentos burocráticos impostos, sem fundamento, pela Prefeitura Municipal. Se faltam recursos para a saúde, a solução é economizar recursos que estão sendo gastos em funções menos prioritárias, como a contratação de funcionários terceirizados e sem vínculo, nomeados sem concurso público.

Numa gestão pública moderna não cabem todos os desejos do governante. Alguns terão de ficar de fora. Ou o governo valoriza o servidor público, respeita a lei e fortalece a cidadania ou o governo rompe acordos com o funcionalismo, rasga a lei e privilegia os “sanguessugas” nomeados em razão da composição política. Impossível defender os interesses da cidade e da coletividade e, ao mesmo tempo, manter aberrações, privilégios e políticas fiscais e de recursos humanos não condizentes com a boa gestão.

O Sindicato e os trabalhadores da saúde, em greve de acordo com a lei, estão abertos a negociar e esperam que o governo municipal também se apresente ao debate. Afinal, os servidores da saúde, traídos pela administração, também se inspiram em Chico Buarque na resposta que cobram do governo: “Você que inventou a tristeza/ Ora, tenha a fineza/ De desinventar/ Você vai pagar e é em dobro/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar”.

VALORIZAR O SERVIDOR É DEFENDER A SOCIEDADE!

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