Um país estrangulado pela taxa de juros

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Valdir Avelino – presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

presidencia@municipais.org.br

O Brasil continua sendo o país com a maior taxa de juros reais do mundo. A conduta do presidente do Banco Central, Campos Neto, indicado pelo último governo, tem mantido o nosso país na liderança do ranking mundial de juros desde maio do ano passado, e configura uma clara sabotagem não apenas contra o novo governo, mas também contra a economia e o povo brasileiro, em especial os trabalhadores.

A política de juros imposta pelo Banco Central tem feito com que o Brasil, antes um país de renda média, volte, aceleradamente, à condição de país pobre. Simplesmente porque hoje em dia, para aqueles que possuem muito dinheiro, vale mais a pena aplicar o capital em títulos emitidos pelo governo ou pelo banco central, recebendo os 13,75% de juros sobre o dinheiro aplicado e “viver de renda”, do que investir em produção, comércio ou prestação de serviços.

Nenhum país do mundo consegue se desenvolver, criar empresas, negócios e crescer com essa taxa imposta pelo Banco Central que, na prática, está estrangulando a economia brasileira. Todos perdem com a atual taxa de juros: empresas, trabalhadores, produtores, municípios, estados, enfim, todos, ou melhor, quase todos. Quem sai no lucro são os grandes tubarões do mercado financeiro, que lucram com a atual política monetária, alegando falsamente que a decisão de manter no Brasil a taxa de juros mais alta do mundo é puramente técnica. Não tem nada de técnico nisso, o que tem é a mais pura ganância.

Os prognósticos de baixo crescimento da economia brasileira em 2023 não devem incomodar apenas o Governo Federal. Todos os estados, municípios, empresários com o mínimo de consciência crítica, deveriam também se sentirem incomodados com as projeções do mercado. O setor produtivo não tem como investir mais em produção com a taxa de juros escandalosa imposta por agentes nomeados pelo antigo governo que ainda estão à frente do Banco Central.

Os barões do mercado financeiro querem o lucro máximo, a qualquer custo. Mesmo que o custo seja o país voltar a conviver com a recessão,  com o sumiço dos investidores, com o tombo dos investimentos na produção e o alto índice de desemprego, deixando os mais pobres famintos e os obrigando a comer ossos para sobreviver, como muitos fizeram no governo anterior, responsável pela indicação do atual presidente do Banco Central.

Segundo pesquisa do Instituto Data Folha, o percentual de brasileiros que dizem acreditar em uma piora da situação econômica do País nos próximos meses vem aumentando. Isto por um motivo muito simples: com juro alto a oferta de crédito continua caindo. Os bancos, que não são bobos nem nada, estão pondo o pé no freio, principalmente dos empréstimos para as pessoas jurídicas, preocupados com as dificuldades de empresas como a Americanas, a Oi, entre tantas outras. Os pedidos de recuperação judicial já somavam cerca de 200 só nos dois primeiros meses deste ano. Sem investimentos pesados na melhoria e no fortalecimento do serviço público e do papel do Estado, com essa taxa de juros que aniquila nossas empresas, o Brasil continuará a perder relevância na economia mundial.

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