Setembro Amarelo

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Valdir Avelino — Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

presidencia@municipais.org.br

O Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção, acolhimento e saúde mental. Para quem trabalha, essa conversa precisa chegar ao cotidiano profissional e às condições em que cada atividade é realizada. O trabalho pode ser fonte de realização, convivência e dignidade, mas também pode adoecer quando faltam profissionais, a sobrecarga se torna permanente, as condições se deterioram e a pressão, o autoritarismo e o assédio passam a fazer parte da rotina.

Os números mostram a gravidade do momento. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, quase 16% a mais do que no ano anterior. Por trás desses dados estão trabalhadores submetidos a diferentes formas de pressão, insegurança, sobrecarga e desgaste. O crescimento dos afastamentos reforça a necessidade de observar com mais atenção aquilo que acontece dentro dos locais de trabalho e de compreender que a prevenção também depende da forma como as equipes são organizadas, das condições oferecidas e do reconhecimento profissional.

A atualização da NR-1 representa um avanço importante ao incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e no Programa de Gerenciamento de Riscos. Sobrecarga, falta de autonomia, jornadas exaustivas, cobranças desproporcionais, violência e assédio devem ser identificados e enfrentados. Esse olhar preventivo precisa fazer parte da rotina das administrações públicas e alcançar concretamente os locais onde os servidores exercem suas funções.

São os servidores que conhecem o ritmo de cada setor, as equipes incompletas, a falta de materiais, os problemas de estrutura e as formas de cobrança presentes no cotidiano. Relatórios produzidos longe dos locais de trabalho e mantidos apenas para cumprir formalidades não resolvem os problemas.

A valorização profissional também faz parte dessa discussão. O trabalhador precisa encontrar perspectiva em sua carreira, remuneração compatível com suas responsabilidades, condições para exercer bem sua função e reconhecimento pelo serviço prestado.

Por isso, a luta por melhores salários, carreira, concursos públicos, reposição dos quadros e condições adequadas de trabalho também está relacionada à saúde dos trabalhadores. A terceirização indiscriminada e outras formas de precarização podem aumentar a rotatividade, enfraquecer equipes, retirar referências profissionais e produzir ambientes de maior insegurança.

A diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis vem tratando o tema com seriedade. Estudamos a NR-1, notificamos formalmente a Administração e cobramos sua implantação efetiva. Também recorremos à Justiça diante de transferências coletivas e involuntárias realizadas sem transparência e sem participação dos trabalhadores, exigindo respeito às medidas de prevenção.

É justamente nesse ponto que a organização sindical ocupa um papel fundamental. Quando o Sindicato cobra concurso público e reposição do quadro, está enfrentando a sobrecarga. Quando luta pela recomposição salarial e pela valorização das carreiras, enfrenta uma dimensão concreta da insegurança vivida pelos trabalhadores. Quando combate a precarização, fiscaliza as condições de trabalho ou reage ao assédio, atua sobre fatores que interferem diretamente na saúde e na qualidade de vida da categoria.

O Setembro Amarelo ajuda a chamar atenção para um problema que precisa permanecer na agenda durante todo o ano. Nossa diretoria continuará ao lado dos servidores e servidoras, cobrando providências e levando a realidade dos locais de trabalho às mesas de negociação, aos órgãos de fiscalização e, quando necessário, ao Poder Judiciário. A defesa da saúde mental caminha junto com a luta pela valorização profissional, pelo fortalecimento do serviço público e contra todas as formas de precarização.

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