Os servidores frente ao risco de uma nova onda de Covid

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Valdir Avelino – presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

presidencia@municipais.org.br

Tudo leva a crer que está acontecendo agora, no Brasil, o que já ocorreu no resto do mundo: uma nova onda de casos de Covid. Alguns especialistas dizem que a transmissibilidade da BQ.1, assim como da XBB, tende a ser maior do que a de outras variantes que já circularam no País. À vista de todos que se dispõem a enxergá-los, os fatos estão aí e acabam com as ilusões de quem acredita que a pandemia de Covid-19 é uma tragédia totalmente superada. O aumento de casos foi registrado, principalmente, no Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, onde laboratórios particulares e farmácias vêm registrando aumento nos testes positivos para Covid nas últimas semanas.

O Estado de São Paulo está diante da ameaça de uma nova onda de infecções pelo coronavírus e é extremamente importante que o governo municipal incentive cada indivíduo a manter o máximo de cuidado, a fim de evitar o pior. A esta altura da pandemia, depois de tudo que passamos, todos sabem o que deve ser feito. Em Ribeirão Preto, em boa parte por falta de empenho do governo, as doses de reforço têm sido baixas, o que não é uma boa notícia.

O surgimento de uma nova e desconhecida variante do coronavírus não deveria surpreender mais ninguém. Afinal, mutações de um vírus são dados da natureza, sempre ocorreram e continuarão ocorrendo. O que impressiona, portanto, não é o fenômeno da biologia, mas a incompreensão governamental e a sua reiterada negligência, a despeito de todo o conhecimento já produzido sobre o vírus e, principalmente, de toda a dor que o coronavírus já causou.

Ninguém sabe por enquanto se um novo isolamento será necessário. Antes disso é preciso saber se haverá mais pressão sobre o nosso sistema municipal de saúde. Esse quadro de incerteza provocado pela nova variante do coronavírus não deveria levar o governo municipal a ficar inerte. Ao contrário, o ressurgimento do coronavírus deveria levar a Administração a adotar imediatamente medidas de precaução para proteger a saúde e a vida dos ribeirão-pretanos.

No entanto, o governo limita-se a demonstrar que a sociedade deve apenas aprender a conviver com o vírus. Sabe-se lá por quais razões, o governo não age. Não age quando deveria estar agindo para evitar os horrores de um possível recrudescimento da pandemia. Na já conhecida trilha do negacionismo federal, que recebeu inclusive o apoio eleitoral do próprio prefeito, o Poder Executivo Municipal não anuncia qualquer medida ou campanha com o objetivo de conter a transmissão total da doença.

A preocupação do Sindicato dos Servidores Municipais/RPGP é que se a nova variante for mesmo tão contagiosa — mesmo se provocar quadros clínicos mais leves — o volume de doentes em termos absolutos pode ser de tal magnitude que submeterá o sistema municipal de saúde a uma nova e enorme pressão. O governo não pode mais permanecer inoperante diante da estagnação da cobertura vacinal em Ribeirão Preto. Além de superar o déficit da imunização da população, inclusive de nossas crianças, o governo municipal tem a obrigação de valorizar e melhorar as condições de trabalho no serviço público. À frente do Sindicato, estamos cobrando publicamente do governo a adoção imediata das medidas necessárias para a proteção e a promoção da saúde física e mental de todos os servidores públicos municipais. Os nossos servidores não aceitarão atravessar uma nova onda de Covid correndo o risco de contaminação, com transtorno de ansiedade, com distúrbios do sono, com preocupação de adoecer e, principalmente, de contaminar colegas e familiares.

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