A fome na Califórnia Brasileira

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A fome voltou ao Brasil e à nossa cidade. Um flagelo que até bem pouco tempo era algo apenas temporário e localizado, hoje passa a ser percebido como algo que se alastra de forma permanente entre muitos brasileiros. O problema da fome poderia até constar da pauta do governo federal ou municipal. Mas os arranjos políticos do pre­sidente Jair Bolsonaro com o Centrão não deixam qualquer espaço para essa discussão.

Em Ribeirão Preto, ao ser incapaz de valorizar o serviço público municipal e os nossos servidores, o governo municipal também se mostra incapaz de promover o crescimento seguro e sustentável da cidade com geração de empregos e bom uso do dinheiro público. Em nível local, com desemprego recorde, com a renda escassa e com a inflação cada vez mais alta, o governo municipal tem falhado neste quesito e muitas famílias só têm conseguido o que comer graças ao trabalho e ao empenho dos nossos servidores municipais e às cam­panhas de solidariedade.

Enquanto bilhões de reais são consumidos em orçamentos secre­tos do toma lá dá cá criados pelo Governo Federal e pelo Centrão, falta dinheiro para atender a nossa população na saúde, na educação, na assistência social, no saneamento básico e em todas as políticas públicas que a sociedade precisa.

Ao invés de anunciar medidas claras, sensatas e bem coordena­das de combate à fome em nível local, o atual governo se esforça em destruir a Lei Orgânica para dificultar também o acesso da popu­lação a água, extinguindo o DAERP. O resultado dessa medida é que nas comunidades de áreas de extrema pobreza e até mesmo em bairros populares, além de conviver com a falta de comida no prato, o povo corre o risco de ter de conviver com a falta de água no copo.

Além de mostrar-se incapaz de promover a criação de empregos e de ajudar os mais pobres na fase mais crítica deste ano, o governo municipal contribuirá para o aumento do desemprego, assustando empresas e investidores ao extinguir o DAERP e passar a empregar os recursos ori­ginados pela cobrança do sistema de água em áreas sem relação alguma com a responsabilidade ambiental que toda administração deveria ter.

O que os servidores públicos municipais estão percebendo com muita nitidez é que a fome e a pobreza vêm aumentando em nossa cidade. Este quadro piorou visivelmente desde o ano passado, com a chegada da pan­demia. Somada à gravidade da covid 19 e a irresponsabilidade do governo federal frente à doença, a condução precária das políticas públicas em nível municipal tem favorecido o avanço da fome e do prolongamento de altas taxas de desemprego com as quais Ribeirão Preto convive.

Governo nenhum, de país algum, tinha a capacidade de impe­dir o surgimento de uma doença letal como a covid. Mas todos os governos deveriam ter a capacidade de mitigar as suas repercussões mais catastróficas, como a fome. A resposta à atual situação de misé­ria social definirá a marca da atual gestão pelo resto da história.

Favorecida pela incapacidade e pelo negacionismo de governos de todas as esferas, a pandemia correu solta e fez estragos. Mas é impor­tante que se diga que o desmonte do serviço público e a campanha orquestrada contra os nossos servidores continua fazendo estrago nas políticas públicas. Enquanto o presidente da República se concentra em seus interesses eleitorais com o Centrão, e o atual governo municipal não se concentra em nada, insistindo na sua ambição autoritária de extinguir o DAERP, a nossa sociedade revive o pesadelo da fome.

É desolador encontrar em nossa cidade, tida como a capital do agronegócio, que já foi conhecida como Califórnia Brasileira, famí­lias inteiras sem renda para comer o mínimo necessário. O combate à miséria e à fome – e a necessária melhoria dos padrões de vida dos brasileiros – só virá com a retomada do desenvolvimento, da indus­trialização e do fortalecimento do serviço público.

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