Paliativo caro no transporte público

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Valdir Avelino – presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

presidencia@municipais.org.br

O governo municipal, inimigo número 1 de um transporte público bom e barato, recorre, outra vez, a paliativos para enfrentar o grave problema do transporte público em Ribeirão Preto. O projeto de Lei do governo municipal que estabelece o repasse de R$ 70 milhões para o Consórcio PróUrbano – a quem foi transferida a responsabilidade do transporte coletivo de Ribeirão Preto – poderia, ao menos, introduzir na pauta da sociedade um tema praticamente restrito aos círculos especializados: a mobilidade urbana.

O governo municipal, tão obcecado em fazer o vultuoso repasse aos grupos privados, parece não ter qualquer insistência em criar um conjunto de facilidades para a população que assegure conforto e agilidade na locomoção para o trabalho, para o lazer, para a escola, para o retorno ao lar, através do transporte público. A realidade mostra em todas as cidades do porte de Ribeirão Preto que não é possível dissociar o transporte coletivo de uma política efetiva de mobilidade urbana, essencial para áreas como habitação, educação, saúde e desenvolvimento econômico, entre tantas outras.

Evidentemente, a opção pelo automóvel particular ou pelo transporte em veículos de aplicativos é consequência direta do inchaço da nossa cidade e pela deterioração da qualidade do transporte público, menos pela insuficiente capacidade de embarque de passageiros e mais pela lentidão e pelo desconforto das viagens. A realidade é que hoje a maioria dos cidadãos não conta com um transporte público de qualidade – que deveria começar fora mesmo dos veículos coletivos; com calçadas bem cuidadas, ruas iluminadas e sem buracos, policiamento adequado, vias bem sinalizadas, sistema semafórico inteligente e resistente às chuvas.

Ainda que seja verdade que o repasse é necessário e essencial – o que boa parcela da sociedade contesta – não deixa de ser verdade que a alegada crise financeira do consórcio de empresas só pode ser entendida como consequência negativa direta do descaso do atual governo com a mobilidade urbana. Não há como contestar que a alegada queda da demanda pelo serviço de ônibus é reação dos usuários à sua notória má qualidade: lentidão, longas esperas nos pontos, desconforto.

A deterioração e abandono progressivo dos ônibus urbanos em favor dos carros particulares e de aplicativos, que resulta em congestionamentos crescentes em Ribeirão Preto, é fruto de uma política que transformou o transporte público em agente comprometedor da qualidade de vida de dezenas de milhares de moradores de Ribeirão Preto.

É lastimável que o governo municipal – e as empresas concessionárias – não tenham feito nada de efetivo para evitar a diminuição progressiva de usuários quando surgiram os primeiros sinais de que o serviço de transporte público apresentava sérias deficiências. Até porque as consequências disso saltam aos olhos e doem no bolso de cada um dos munícipes de Ribeirão Preto.

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