Valdir Avelino — Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis
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Flávio Bolsonaro sempre atou e votou contra os direitos e anseios dos servidores públicos. Defendeu a restrição de aposentadorias, concursos, reajustes e carreiras de todo o funcionalismo.
O servidor público brasileiro não pode esquecer que em fevereiro de 2020, Paulo Guedes, então ministro da Economia de Jair Bolsonaro, comparou servidores a “parasitas” ao defender a redução de despesas com pessoal e o enfraquecimento do serviço público. Neste episódio, Flávio Bolsonaro ficou do lado do governo de seu pai e contra os servidores.
O governo Bolsonaro também editou a Lei Complementar 173/2020, proibindo, como regra, reajustes salariais, criação de cargos e numerosos concursos até dezembro de 2021. A medida foi imposta como condição para o socorro financeiro durante a pandemia. Bolsonaro, também restringiu a contagem de tempo para vantagens funcionais, regra posteriormente revista pelo governo Lula, em janeiro de 2026. Flávio Bolsonaro, novamente ficou do lado do governo do pai e contra os servidores.
Na Previdência, quando os Bolsonaros comandavam o país, a Emenda Constitucional 103/2019 alterou a pensão por morte, prejudicando pensionistas. A reforma também restringiu a acumulação de benefícios. Flávio Bolsonaro, atual candidato do PL, votou a favor da reforma da Previdência e, novamente, contra os servidores.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro é ainda pior para todos os servidores com a continuidade da reforma administrativa. O documento também afirma que pretende “modernizar” o funcionamento do Estado e as carreiras dos servidores. Há senadores do PL que defendem abertamente o fim da estabilidade no serviço público. E essa turma será maioria no Senado.
Para quem é servidor público, conhecer o que fez e o que pretende fazer um eventual governo de Flávio Bolsonaro é fundamental. O que eles chamam de mudanças na estrutura do Estado é, na verdade, para alcançar e destruir carreiras, relações de trabalho, negociação coletiva e a própria organização do serviço público, com o fim da estabilidade e do concurso público.
Flávio Bolsonaro diz aos quatro cantos que tem como exemplo a ser seguido os governos de Donald Trump e Javier Milei. Trump iniciou o segundo mandato congelando contratações federais e promovendo demissões em massa. Em fevereiro de 2025, a Reuters já registrava mais de 9.500 desligamentos e cerca de 75 mil adesões a um programa de saída. Milei não renovou milhares de contratos públicos na Argentina, onde salários do setor estatal perderam mais de 15% do poder de compra durante seu primeiro ano.
Os servidores públicos brasileiros precisam conhecer os riscos da PEC 38/2025, que ameaça vantagens por tempo de serviço e altera profundamente as regras das carreiras. Num eventual governo Bolsonaro filho, essa PEC seria facilmente aprovada, acabando de vez com o que ainda existe de serviço público estável no Brasil.
Flávio Bolsonaro faz campanha todos os dias prometendo dar continuidade à reforma administrativa. Votando neste projeto, você estará colocando em risco extremo a sua estabilidade, os salários, os concursos públicos e a valorização profissional. O Brasil precisa, sim, avançar, corrigir rumos e combater o que há de errado. Mas nenhum país constrói um futuro melhor enfraquecendo os trabalhadores que sustentam seus serviços públicos. Nenhum voto de servidor em quem sempre agiu como inimigo da nossa categoria.
