Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis
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Aula Delivery: modernização ou precarização do ensino?



*Por Cristiane Gonçalves - Coordenadora da Seccional da Educação do SSM-RPGP, formada em pedagogia e professora da Rede Pública Municipal e Laerte Carlos Augusto, presidente do SSM- RPGP, graduado em Gestão Pública

Vivemos a era da modernidade, da globalização. Dentro deste contexto, seria infame dizer que o novo pode prejudicar, que o digital pode trazer problemas. Seria o mesmo que isolar-se do restante do mundo! Sim, tudo isso seria verdade se o tema não fosse a educação de Ribeirão Preto. É óbvio que certas modernidades e facilidades do mundo digital têm de ser utilizadas no dia a dia e no aprendizados dos alunos da rede municipal de ensino. Porém, assim como quase tudo na vida, há uma linha tênue que divide o bom do ruim, o certo do errado, e esse limite deve ser respeitado.

Mas pelo que estamos observando em Ribeirão Preto, essa divisa sequer tem sido debatida pela Secretaria Municipal da Educação. O projeto do professor horista (substituto), que a SME insiste em implantar aqui no município, é o exemplo mais nítido de que a linha do certo e do errado não está sendo respeitada. Além de propor um tipo de contrato de trabalho precário para os professores, onde praticamente nenhum vínculo trabalhista será formalizado, a SME quer resolver o problema da Educação de Ribeirão com um simples aplicativo de celular. Seria a varinha de condão dos tempos modernos; onde problemas complexos e de ordem administrativa do governo estariam resolvidos com apenas um toque na tela do celular.

Sim, também é verdade que aplicativos de celular têm revolucionado a forma de pensar e agir das pessoas, mas em ambientes muito distantes da relação professor, aluno e educação. Eles funcionam muito bem para pedir comida, uma corrida de Uber, para dar dicas de beleza e até mesmo em relacionamentos; porém, para a formação educacional de crianças e adolescentes dificilmente dará certo. Chamar um professor para assumir uma classe com cerca de 25 alunos por um aplicativo de celular e exigir uma reposta em 30 minutos (o que significaria preparar uma aula com o mesmo tempo), e esperar que o professor dê conta do recado – por mais que ele seja preparado –, é ignorar todo e qualquer fundamento pedagógico necessário para se dar uma boa e educativa aula.

Os problemas da educação de Ribeirão são muito mais complexos do que um toque em uma tela de um aparelho móvel de telefonia pode resolver. Eles passam pela verdadeira valorização dos professores, com investimento em aperfeiçoamento da categoria, que hoje encontra-se quase que marginalizada pelo poder público. Países que mudaram suas culturas e que hoje são referências em Educação, como a Finlândia por exemplo, não investiram em aplicativos mágicos, mas, sim, na contratação e na valorização de seus professores, com capacitação e melhores salários.

E você, aceita dar uma aula delivery?



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